Realidades
- un-onfam

- 25 de jan.
- 3 min de leitura
O Calado: quando a verdade não é combatida — é engolida
(Sobre a aquiescência silenciosa diante do que não se consegue negar)
Existe um tipo de texto que desperta discussão, polêmica e ataque.
Ele agride crenças, afronta opiniões, pisa em terrenos instáveis.
Esse tipo de texto geralmente produz barulho.
Mas há outro tipo de texto — mais raro — que não gera barulho.
Ele gera… calado.
O calado não é concordância.
O calado não é aplauso.
O calado sequer é consenso.
Mas o calado é um fenômeno muito específico:
é quando o leitor percebe que a negação não é segura.
E, por isso, prefere não expor a própria fragilidade.
1) O calado não é aceitação — é contenção
Na vida social, muita gente se opõe a ideias por instinto, por hábito, por defesa.
Mas certas ideias, quando expressas com coerência, não permitem que o ataque seja fácil.
A mente reage então não com resposta, mas com travamento.
O indivíduo lê.
E por dentro ele pensa:
“isso é perigoso demais para eu negar com certeza”
“isso pode ser verdadeiro… e se for, eu perco meu chão”
“isso mexe demais com o que eu acredito”
“isso toca em algo que eu já senti… e escondi”
Então ele não ataca.
Ele não concorda.
Ele apenas se cala.
E esse silêncio é um tipo de defesa… porém também é uma forma involuntária de respeito.
2) Há ideias que a mente combate, mas a alma reconhece
Muitos combatem o metafísico, o transcendente, o intuitivo, porque foram ensinados a fazê-lo.
Chamam de alienação, delírio, fantasia.
Porém… no fundo… a consciência humana sabe.
Sabe que a realidade não cabe no material.
Sabe que existe algo além do que é mensurável.
Sabe que existem travessias internas, percepções invisíveis, presságios, mensagens, presenças.
E quando um texto descreve isso com maturidade — sem espetáculo — ele produz um efeito curioso:
o opositor não tem munição.
Porque, mesmo combatendo, ele já tocou esse mistério antes, ainda que o tenha escondido sob o tapete da razão.
Assim, ele não responde.
Ele apenas silencia.
3) O silêncio como aquiescência parcial
O que é aquiescência?
Não é necessariamente aderir.
É conceder espaço.
É não expulsar.
É reconhecer que aquilo pode existir.
No estágio atual da humanidade — e no estágio atual do Projeto UE — um texto sobre a intuição como chamada divina e sobre o acesso a múltiplas camadas da realidade não produziria apenas alienação.
Produziria algo mais estranho:
um silêncio aquiescente.
Não consensual.
Não confiante.
Mas real.
É como se o leitor dissesse:
“não vou abraçar isso”
“não vou declarar que acredito”
“mas também não vou rir”
“não vou tentar destruir”
“não vou negar com segurança”
Isso é a vitória mais profunda de uma ideia.
Porque ela não dominou…
mas também não pôde mais ser exterminada.
4) O calado é um termômetro do que amadureceu
Quando uma ideia é infantil, ela atrai zombaria.
Quando é frágil, atrai ataque.
Quando é incoerente, atrai refutação fácil.
Mas quando uma ideia é apresentada com firmeza serena — e principalmente quando ela se acopla à realidade íntima do leitor — nasce o calado.
Esse calado não é derrota.
É maturação.
Sinal de que:
aquilo que antes seria ridicularizado, agora precisa ser engolido.
E engolir uma ideia é o primeiro passo para um dia, talvez, compreendê-la.
5) O CONTATOS e o fim da zombaria
Existe um motivo ainda maior para esse silêncio.
Quando o texto se conecta a um experimento real — como o CONTATOS — ele deixa de ser “opinião” e passa a ser “ameaça ao paradigma”.
E o ser humano, diante do que ameaça seu paradigma, toma três caminhos:
zombaria (quando acha fraco)
perseguição (quando acha perigoso)
silêncio (quando percebe que pode ser real)
No estágio atual, o CONTATOS conduz a terceira resposta.
Porque não é um discurso somente espiritual.
É um discurso que insinua procedimento, método, teste, registro, coerência.
Ou seja: não pede fé cega.
Pede observação.
E isso cala até quem combate.
Conclusão — O Silêncio não é Consentimento; é o começo do fim da negação
Por isso, não nos impressionemos se muitos não reagirem.
A verdade não entra sempre por aclamação.
Muitas vezes ela entra assim:
pela porta do calado.
E o calado é o prelúdio de algo maior:
o dia em que a humanidade terá de aceitar que o mundo não é só matéria,
que a consciência não é apenas química,
e que a intuição, quando purificada e coerente, pode ser a forma mais alta de ciência —
porque toca o real antes que o real seja medido.


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