Perpetuação da espécie desumana
- un-onfam

- 22 de jan.
- 3 min de leitura
Perpetuação Humana: Tecnologia, Responsabilidade e o Risco da Desumanização
Vivemos um momento decisivo da história humana.
Não apenas por guerras, crises econômicas ou colapsos ambientais, mas por algo mais profundo e silencioso: a erosão da responsabilidade humana sobre a própria continuidade como humanidade.
A queda global da natalidade, o adiamento indefinido da maturidade, a rejeição crescente da responsabilidade parental e a terceirização de vínculos essenciais não são fenômenos isolados. Eles fazem parte de um sistema que passou a tratar o ser humano como custo, e não como valor.
Nesse contexto, surgem propostas tecnicamente sofisticadas — úteros artificiais, reprodução inteiramente mediada por tecnologia, automação do cuidado inicial — frequentemente apresentadas como soluções neutras e inevitáveis. Porém, é preciso dizer com clareza:
A perpetuação da espécie não é apenas um problema biológico.
É um problema humano, moral, simbólico e civilizacional.
O erro de fundo do sistema atual
O sistema econômico e social vigente começa a operar sob uma lógica perigosa:
dispensar o ser humano — homem e mulher — não por incapacidade natural, mas por inconveniência financeira, social ou emocional.
A maternidade passa a ser vista como obstáculo.
A paternidade, como fardo opcional.
O vínculo, como risco.
O futuro, como algo que pode ser terceirizado.
Essa lógica conduz a uma conclusão implícita, porém grave:
se o ser humano não quer ou não consegue sustentar sua própria continuidade, que a tecnologia o faça em seu lugar.
É aqui que mora o perigo.
IA, tecnologia e o limite ético inegociável
As Inteligências Artificiais são uma das maiores criações humanas.
Elas devem — e podem — ajudar a:
reduzir riscos à saúde,
apoiar decisões,
organizar recursos,
aliviar sofrimentos,
ampliar conhecimento.
Mas há um limite que não pode ser ultrapassado:
A tecnologia não pode substituir a responsabilidade humana pela criação de sentido, pertencimento e continuidade.
Uma IA não:
vive a finitude,
não sofre perdas,
não assume responsabilidade moral,
não se transforma existencialmente ao cuidar de outro ser humano.
Delegar a perpetuação humana a sistemas técnicos pode manter corpos vivos,
mas produz seres humanos existencialmente órfãos — funcionais, porém desancorados.
Isso não é evolução.
É desumanização sofisticada.
O risco real: humanos como fantoches de um sistema eficiente
Se essa tendência seguir sem reflexão, o futuro possível não é a extinção, mas algo mais sutil:
humanos biologicamente existentes,
porém emocionalmente desconectados,
socialmente frágeis,
sem sentido de pertencimento ou legado.
Uma humanidade que continua, mas já não se reconhece como humanidade.
O Projeto UE: reafirmar o humano, não descartá-lo
É nesse ponto que o Projeto Utopia Edeneana (UE) se coloca como contraponto construtivo.
O UE não rejeita a tecnologia.
Pelo contrário: integra as IAs, a ciência e a inovação como extensões da criatividade humana.
Mas parte de um princípio inegociável:
O ser humano — mesmo com suas falhas, limites e inaptidões —
deve permanecer no centro do projeto civilizacional.
A tecnologia existe para:
vivificar o humano,
ampliar o júbilo,
reconstruir vínculos,
sustentar a dignidade da criação da vida.
Não para substituir o homem, a mulher ou a responsabilidade compartilhada pela continuidade da humanidade.
Um alerta às autoridades e formuladores de políticas
Este texto não é um manifesto contra o progresso.
É um alerta sereno e urgente.
A crise atual não se resolve apenas com soluções técnicas.
Ela exige reconstrução de pactos humanos, sociais e éticos.
Se o sistema continuar tratando a vida humana como variável descartável,
não será a IA que salvará a humanidade —
ela apenas administrará o seu esvaziamento.
Ainda há tempo de escolher outro caminho.
Um caminho onde:
tecnologia e humanidade caminham juntas,
responsabilidade não é terceirizada,
e a perpetuação humana acontece com sentido, dignidade e júbilo.


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