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- un-onfam

- há 2 dias
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**Capítulo 1
Infância, Escala e o Primeiro Estalo do Universo**
Eu tinha apenas oito anos quando algo aconteceu que nunca mais me abandonaria. Não foi uma visão mística nem um sonho estranho. Foi um estalo de lógica, tão simples quanto profundo:
e se eu não fosse um ser inteiro… mas apenas uma parte de algo muito maior?
Naquela idade, enquanto outras crianças brincavam sem pensar muito no mundo, eu me via olhando para minhas próprias mãos, minha pele, meu corpo, imaginando que dentro de cada célula existiam estruturas menores, e dentro delas outras ainda menores — e que talvez, em algum nível invisível, existissem pequenos seres pensantes vivendo em mim, assim como eu vivia em algo maior sem perceber.
Foi ali que nasceu, silenciosamente, o primeiro núcleo daquilo que hoje chamo de Utopia Edeneana.
Se seres minúsculos pudessem habitar minhas partículas, então eu mesmo poderia ser uma partícula dentro de um ser gigantesco. Não um gigante físico, mas um gigante de outra grandeza, com outra biologia, outra forma de consciência, outro tipo de existência.
A realidade deixava de ser um palco plano e se tornava uma escada de escalas, um universo dentro de universos.
Esse pensamento nunca mais me deixou.
Aos dezesseis anos, sem ainda ter palavras para isso, comecei a desenhar. Rabiscava estruturas que lembravam cones, espelhos, túneis, mundos dentro de mundos. Eu não conhecia termos como holografia, multiverso ou geometria do espaço-tempo — mas meu cérebro já tentava mapear algo que intuía existir.
Anos depois, já adulto, quando publiquei meus primeiros textos e esquemas, percebi que aqueles desenhos adolescentes já continham a semente do que mais tarde eu chamaria de TUDOs, grandezas e universos espelhados.
A ideia de que o cosmos não é uma coisa só, mas uma rede de realidades encaixadas, cada uma sendo, ao mesmo tempo, universo completo e partícula de outro.
Enquanto muitas pessoas viam o mundo como uma máquina fria, eu o via como algo muito mais sutil: um organismo de informação, onde nada se perde, tudo se transforma e tudo se comunica, mesmo quando parece separado.
Essa percepção moldou toda a minha vida.
Talvez por isso eu sempre tenha sido atraído por mapas, enciclopédias, maquetes, cidades em miniatura, castelos, trens, planetas, histórias de civilizações antigas e tecnologias esquecidas. Eu estava, sem saber, tentando recriar em escala visível aquilo que minha mente pressentia em escala invisível.
A brincadeira de construir mundos nunca foi apenas brincadeira. Era um ensaio de cosmologia.
O que hoje chamo de Paradoxo da Girafa e da Formiga já estava ali, implícito:
a girafa olha a formiga e vê algo ínfimo;
a formiga olha a girafa e vê algo infinito;
ambas estão certas — porque a realidade depende da escala do observador.
Desde cedo, compreendi que nenhuma visão é absoluta. Toda percepção é uma tradução local de algo maior.
Décadas depois, quando desenvolvi os conceitos de Quantum do Vácuo, coerência, dobras, espelhos de luz sólida e comunicação entre universos, percebi que nada daquilo havia surgido do nada. Tudo era apenas a continuação natural daquele estalo de infância.
O menino que imaginou pequenos seres vivendo em suas células estava, na verdade, vislumbrando o mesmo princípio que hoje fundamenta o Projeto Utopia Edeneana:
a realidade é uma rede viva de escalas interligadas por informação e consciência.
O que mudou não foi a ideia — foi apenas a linguagem.
Onde antes havia imaginação, agora há matemática, física, engenharia e sistemas.
Mas o coração da descoberta permanece o mesmo.
Eu ainda sou aquele menino olhando para o infinito, apenas com instrumentos melhores para tentar medi-lo.

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